"Sombras da Noite" poderia ser superlegal, mas não é bem isso que acontece.
Johnny Depp interpreta um tipo excêntrico em um universo gótico e fantástico, no qual tragédia, humor e romance se misturam. Pois é, “Sombras da Noite” carrega diversos elementos da cultuada filmografia de Tim Burton e tinha tudo para ser, no mínimo, um interessante mais do mesmo. Ainda que parta de um conjunto promissor, contudo, o longa lançado nesta sexta-feira (22) é uma espécie de “menos do mesmo” (sim, o Colherada pede desculpas pela infame expressão).
O início desperta a curiosidade ao mostrar como Barnabas Collins, um rico e conquistador rapaz do fim do século 18, vê um triângulo amoroso arruinar seu promissor futuro: ao ser trocada por Josette (Bella Heathcote), a bela empregada Angelique (Eva Green) revela seus talentos como bruxa, provoca a morte da amada do protagonista e ainda evoca uma maldição ao transformá-lo em vampiro. Como vingança boa é desenvolvida em camadas, a vilã de coração partido atiça toda a cidade contra o sanguessuga e o prende em um caixão.
Desse recomeço surgem os maiores e melhores momentos cômicos do filme, já que Barnabas não compreende e nem se encaixa neste novo mundo. Há excelentes sacadas, como a visão do símbolo do McDonald’s, o apreço do protagonista por citações do livro “Love Story” e seu tempinho ao lado de um grupo de hippies.
Personagens demais e falta de foco
“Sombras da Noite” é a adaptação cinematográfica da série de TV homônima produzida de 1966 a 1971. Em sua transposição, no entanto, a galeria de personagens que fazia sentido durante os diversos episódios apenas preenchem espaço – de maneira pouco convincente – enquanto a trama principal se resolve.
A história central, por sua vez, depende totalmente do talento de Depp, Eva Green e Michelle Pfeiffer para ofuscar os lugares comuns em que o roteiro se perde. As boas atuações não são o suficiente para salvar os minutos finais, quando o filme se esquece de sua porção cômica ou das pitadinhas de terror e acelera de forma confusa para investir em um drama romântico sem sal e em uma luta final tediosa. A decepção se completa com o escancarado gancho para uma sequência.
Das oito parcerias entre Johnny Depp e Tim Burton – responsáveis por “Edward Mãos de Tesoura”, “Ed Wood”, “Sweeney Todd” e “A Noiva Cadáver”, entre outros –, talvez essa seja a mais fraca, ainda que entretenha e bem em alguns momentos.
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